30 Grandes Ideias para 2019: os temas para ficar de olho no próximo ano

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Os líderes empresariais, escritores, jornalistas e acadêmicos entrevistados pelos editores do LinkedIn preveem uma economia instável em 2019, assim como uma ordem mundial conturbada e uma ansiedade contínua, mas também revelam um foco renovado no cuidado da nossa saúde, no bem-estar alheio e também em fazer sempre a coisa certa. Apresentamos agora, pela primeira vez no Brasil, a lista das Grandes Ideias para o próximo ano — o artigo anual é publicado originalmente em inglês. Nós também queremos ouvir a sua opinião: compartilhe suas ideias e suas previsões usando a hashtag #GrandesIdeias2019.

Por Isabelle Roughol

1. Desbancando a Geração dos Millennials: a hora e a vez da Geração Z.

Em 2019, a Geração Z avançará e superará em quantidade os Millennials, a geração que você amava odiar na última década. Os nascidos depois de 2001 serão cerca de um terço da população do planeta e um quinto de seus trabalhadores. “Sua energia e conhecimentos tecnológicos revolucionarão o local de trabalho e, pela primeira vez na história moderna, cinco gerações trabalharão lado a lado”, diz Michael Dell, CEO e presidente da Dell Technologies (sim, alguns representantes da geração anterior ao baby-boom ainda estão trabalhando, graças aos avanços da medicina e à crise financeira que afetou seus fundos de aposentadoria). “A nossa pesquisa com jovens de 16 a 23 anos me deixa otimista de que cada geração possui competências complementares e que os empregadores que aprenderem a aproveitá-las terão um futuro brilhante”. Qual é a visão de mundo dessa nova geração? “Acredito que essas pessoas colocam empenho em todos os aspectos de suas vidas”, diz a escritora best-seller Brené Brown. Cerca de metade da sua equipe é da Geração Z. “Essas pessoas são todas muito diferentes, mas como grupo, são curiosas, esperançosas, sempre aprendendo, sintonizadas com o sofrimento do mundo e ansiosas por fazer algo a respeito.”

2. Os destinos da África e da China estão atados.

Os crescentes investimentos e presença da China na África nos últimos anos é inegável; Xi Jinping acabou de anunciar mais US$ 60 bilhões em investimentos na África, três anos após uma promessa semelhante. “Os países africanos já reconhecem a sua imensa deficiência em infraestrutura (algo na casa dos US$ 70-120 bilhões ao ano, e receberam muito bem o dinheiro chinês)”, diz Stephen Yeboah, o ganês fundador da Commodity Monitor. Enquanto isso, a China precisa de terras aráveis para alimentar sua população e de matérias-primas — cobalto da República Democrática do Congo, cobre de Zâmbia, bauxita de Gana — para alimentar suas indústrias. Em 2019, a opinião pública analisará esses acordos atentamente, exigindo condições justas e infraestrutura de qualidade, Yeboah afirma. Os empréstimos da Zâmbia foram tão mal administrados que o país sequer sabe quanto deve, ele aponta, enquanto países como Ruanda ou Gana têm conseguido negociações melhores. “Em última análise, cada país é soberano”, afirma. “Cabe aos líderes africanos decidir se vão deixar os chineses ditar as regras.”

3. A economia desacelera …

Os economistas estão divididos sobre o momento exato em que isso ocorrerá, mas têm certeza de que haverá uma retração econômica. “Há uma confluência de ventos contrários estruturais profundamente arraigados que ameaçam derrubar a economia global”, adverte o economista Dambisa Moyo, entre eles, a crescente desigualdade, uma força de trabalho pouco adaptada às rápidas mudanças tecnológicas, a instabilidade política e a enorme carga de endividamento dos governos, corporações e indivíduos. “Historicamente, os EUA têm ocupado a posição de líder, e provavelmente vão desacelerar este ano”, acrescenta a analista de negócios da CBS News Jill Schlesinger. O outro líder mundial, a China, já está desaquecendo. “É muito provável que o crescimento mundial desacelere em 2019, e realmente parece que 2020 pode ser o ano de uma recessão global”, prevê Schlesinger.

4. … e as empresas se preparam para a próxima recessão.

Executivos sabem que a bonança não dura para sempre, e muitos deles estão reduzindo a força de trabalho preventivamente para permanecerem enxutos e preservarem os lucros caso ocorra uma recessão, adverte Danielle DiMartino Booth, autora de “Fed Up” e uma das Top Voices do LinkedIn. A General Motors anunciou 14 mil demissões estratégicas, oferecendo opções de compra de ações da empresa apenas para funcionários mais experientes — leia-se, mais caros. A operadora de telecom Verizon criou um plano de demissão voluntária para 44 mil trabalhadores. “Neste momento, eu garanto que todos os consultores dos Estados Unidos estão se reunindo e discutindo com as equipes executivas em muitas empresas o que eles também podem fazer antes da próxima recessão”, diz Booth. “As empresas estão tomando medidas excepcionais porque sabem o quanto custa essa expansão e sabem o que está por vir.” Isso levanta a questão: uma recessão em 2019 é uma profecia autorrealizável?

5. Aprender já não basta; os profissionais vão se concentrar em ações.

Após a explosão do setor de aprendizado online, estamos mentalmente exaustos de todos os cursos que fizemos. Mas o que estamos fazendo com esse conhecimento recém-adquirido? A pensadora de gestão Whitney Johnson diz que a próxima tendência é focar na melhoria do nosso comportamento, não apenas no nosso conhecimento, a fim de aplicar essas lições ao nosso trabalho e à vida pessoal. Ela aponta para o sucesso de livros como “Atomic Habits”, de James Clear, e “Willpower Doesn’t Work”, de Benjamin Hardy, junto com o eterno best-seller “O Poder do Hábito”, de Charles Duhigg. “Talvez por causa do ambiente político, as pessoas queiram agir, assumir o controle”, diz Johnson. E a única coisa que você pode controlar é o que você mesmo faz.”

6. #MeToo entra na segunda fase…

Mais de um ano após a explosão do #MeToo (e 13 anos depois que Tarana Burke lançou o movimento pela primeira vez), a queda de executivos pelo próprio mau comportamento não para de aumentar. Depois de arrasar a indústria de mídia e entretenimento, o movimento se espalhará para líderes de nível médio e de setores menos visíveis, prevê Ross Martin, CEO da empresa de marketing Blackbird. “Nem todos os nomes virão a público, mas você certamente conhecerá que marcas eles lideravam e para quem trabalhavam”, diz Martin.

7. … mas alguns executivos que tiveram sua honra exposta retornarão.

Os magos da publicidade aprenderam a planejar e administrar o que Martin chama de “o ciclo do arrependimento”. “Estamos reduzindo o tempo e o espaço entre o sucesso, o fracasso e a redenção”, explica ele. “O conteúdo dos pedidos de desculpas tornou-se um componente fundamental de qualquer estratégia de marketing.” Não há problema em achar que isso é cínico; ele também acha.

8. Profissionais cada vez mais questionadores.

Em um mercado de trabalho restrito, o profissional pode se dar ao luxo de ter princípios. Isso está começando pelo Google, sempre líder da cultura corporativa, onde, nos últimos meses, os funcionários se manifestaram contra o lançamento pela empresa de um serviço censurado na China, forçando a companhia a desistir de um contrato com o Pentágono e organizando uma paralisação para protestar contra o assédio sexual no local de trabalho. “Os funcionários dessas empresas não vão mais representar a liderança fazendo coisas em que simplesmente não acreditam”, afirma Ross Martin. Este instinto é particularmente potente entre os trabalhadores da Geração Y e da Geração Z, observa o CEO da Redfin, Glenn Kelman. “Esse idealismo abriu uma brecha geracional entre os gerentes e nossos jovens protegidos, que às vezes podem ser bastante veementes”, conta ele. “Contudo, a paixão deles é uma das principais razões pelas quais estou empolgado com o futuro: as pessoas que acabaram de ingressar na força de trabalho agora serão a consciência da organização.”

9. A IA está em todo lugar.

Em um setor após o outro, as pessoas nos relatam que a inteligência artificial está cada vez mais presente no seu cotidiano de trabalho, indo desde a análise de evidências em pesquisas médicas até ajudar os governos nas decisões políticas mais sensatas. “Embora 2018 tenha sido o ano de maior entusiasmo com a IA, estamos em um ponto de inflexão em que essas tecnologias estão sendo incorporadas em uma maior quantidade de ferramentas que utilizamos todos os dias”, conta Sharon O’Dea, cofundadora da consultoria de comunicações Lithos Partners e uma das Top Voices do LinkedIn. “É quando as tendências tecnológicas começam a se tornar invisíveis que elas realmente causam um grande impacto.”

10. As empresas abrem espaço para a neurodiversidade.

A neurodiversidade refere-se à inclusão de pessoas com todos os tipos de habilidades e padrões cognitivos, desde o TDAH e a dislexia até pessoas no espectro do autismo. Ela está chegando aos locais de trabalho como consequência cronológica de uma mudança cultural e científica dos anos 90; condições antes vistas como patologias a serem tratadas por médicos tornaram-se diferenças a que a sociedade deve se adaptar. “Você tem toda uma geração de pessoas que foram muito mais rigorosamente diagnosticadas entrando na força de trabalho agora”, diz Ed Thompson, fundador da Uptimize, uma organização que ajuda os empregadores a atrair, contratar e reter talentos neurodiversos. Acrescente a isso uma “guerra crônica por talentos”, explica ele, que está levando os recrutadores a procurar além da demografia habitual. E a neurodiversidade está “se tornando uma categoria de diversidade e inclusão no local de trabalho que tem sido amplamente discutida de um modo que não ocorria até mesmo há um ano atrás”.

11. A automação do trabalho terá um impacto desproporcional sobre as mulheres.

Por Christine Lagardediretora-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI)

Novas tecnologias como inteligência artificial e aprendizado de máquina estão mudando a maneira como o trabalho é feito em todo o mundo. A tendência à automação é especialmente desafiadora para as mulheres, porque elas tendem a ser empregadas em tarefas mais rotineiras do que os homens em todos os setores e ocupações, tornando-as mais propensas a sofrerem com a automação. Uma nova pesquisa do FMI estima que 26 milhões de empregos femininos em 30 países estão sob alto risco de serem substituídos pela tecnologia nos próximos 20 anos. Isso significa 180 milhões de empregos femininos em todo o mundo! Nós não temos muito tempo para agir e, por isso, 2019 é o ano para fazer incursões importantes para enfrentarmos este desafio. Como? Precisamos ajudar as mulheres a adquirir as competências necessárias para terem uma carreira de sucesso. A educação e a formação serão fundamentais — incluindo maior ênfase na aprendizagem ao longo da vida e STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Pense, em particular, em projetos de programação como o Girls Who Code nos EUA, ou na criação de incentivos fiscais para treinamento, como acontece nos Países Baixos. Também precisamos reduzir a disparidade de gênero em cargos de liderança em todos os setores, ao mesmo tempo em que fazemos mais para ajudar homens e mulheres a equilibrar trabalho e vida familiar. Finalmente, precisamos nos esforçar mais para diminuir a lacuna digital e garantir que as mulheres tenham acesso igual a financiamento, contas bancárias e conectividade. 2019 é o ano em que devemos avançar para assegurar condições equitativas entre homens e mulheres.

12. Os usuários vão ocupar o Vale do Silício

“A ira que os progressistas já sentiram em relação ao 1% de Wall Street está se voltando para o Vale do Silício”, escreve o CEO da Redfin. Glenn Kelman adverte sobre um provável movimento de “Ocupar o Vale do Silício”. “Embora os líderes de tecnologia já tenham sido aclamados como os visionários de um admirável mundo novo, vistos como uma categoria à parte de financistas e outros plutocratas, agora passamos a ser alvos em debates sobre impostos, moradia e acessibilidade financeira.” Nem todos vão acampar na sede das empresas em Mountain View, mas os usuários vão excluir suas contas e se recusarão a fazer parte dos modelos de negócios dessas empresas, adverte Don Peppers, especialista em experiência do cliente. “Mais pessoas vão instalar e usar bloqueadores de anúncios, recusar pesquisas e desativar cookies”, diz ele. “2019 se transformará em um ano emblemático para aplicativos de proteção de privacidade, bloqueadores de dados e outros serviços de segurança.”

13. Os governos vão aproveitar para taxar as grandes empresas de tecnologia.

As autoridades americanas estão surfando nessa onda para impor novos impostos e regulamentações ao setor; Kelman menciona especificamente o imposto que empresas de Seattle pagam sobre os funcionários e a proposta de São Francisco em taxar as grandes empresas para projetos voltados aos sem-teto. Essas propostas vão inspirar outras cidades nos EUA. O governo britânico planeja introduzir um “imposto digital” de 2% da receita britânica das empresas de tecnologia, lutando contra os gigantes da tecnologia norte-americana que fogem de impostos instalando a sede da empresa na Irlanda ou na Holanda. A União Europeia abandonou uma ideia parecida, mas Índia, Coreia do Sul, México, Chile e outros estão desenvolvendo planos semelhantes, pressionando a OCDE para avançar na sua própria promessa de reforma tributária global. Os governos europeus tendem a recorrer ao antitruste, prevê Emily Taylor, CEO da Oxford Information Labs. “Redescobriremos as leis e regulamentações referentes à concorrência como forma de combater a concentração excessiva de poder e as distorções no mercado”, explica. Os EUA têm tentado evitar isso, para não restringir a inovação nas empresas do país, mas a Europa tem menos gigantes e mãos mais livres. Empresas mais inteligentes ajudarão a moldar a regulamentação em vez de se opor obstinadamente a ela, diz a CEO da Booking.com, Gillian Tans. “Essa colaboração será o fator decisivo para definir quais empresas da economia compartilhada terão sucesso no futuro”, diz ela. “A regulamentação deve ser apoiada, e não temida.”

14. O escritório está ficando vazio.

Por Glenn Kelman, CEO da Redfin

Com a superpopulação das cidades e o aumento dos preços de moradia, os empregadores terão que pagar mais para que seus funcionários possam residir em áreas urbanas. Algumas empresas abrirão um escritório em uma cidade menor; outras permitirão que os funcionários trabalhem em casa.

A própria existência do escritório começou a declinar anos atrás com o desastroso projeto sem paredes, um aglomerado de pessoas usando fones de ouvido e enviando mensagens loucamente, para citarmos apenas alguns problemas. Mais recentemente, o movimento para dar aos pais que trabalham mais flexibilidade fez com que os gerentes hesitassem em avaliar com base no comparecimento ao local de trabalho. E agora, Slack, Github, Jira e outras ferramentas para equipes virtuais estão sendo adotadas por trabalhadores de todas as áreas. Em 2019, um processo gradual atingirá um ponto de virada: o escritório ficará vazio.

Trabalhar em casa mudará o ritmo mais básico da vida industrial. As pessoas terão mais tempo para trabalhar e também para se divertir. Vamos sentir falta do bebedouro, que juntamente com a porta da igreja e a entrada da escola, era um lugar para as pessoas se encontrarem e conhecerem outras pessoas. Escritórios também são um dos últimos lugares em uma sociedade cada vez mais secular onde ainda existe um senso de comunidade e propósito. Vou lamentar muito esse desaparecimento gradual.

15. Uma guerra fria entre EUA-China será travada primeiramente na frente tecnológica.

Apesar das atuais tensões, as economias dos EUA e da China estão muito interligadas para que uma guerra comercial aumente verdadeiramente no curto prazo, diz Ian Bremmer. Uma guerra fria é mais provável em cinco ou dez anos, acrescenta ele, quando uma recessão econômica e uma animosidade sustentada desfizeram esses laços. Mas para 2019, a luta está na frente da tecnologia: “é onde você tem uma guerra fria. Os chineses com seu modelo de IA, os americanos com outro modelo de IA. Os chineses com a internet deles, os americanos com nossa internet ”, diz ele. Ele faz eco ao ex-CEO do Google, Eric Schmidt, que alertou em setembro sobre a decisão arriscada tomada pelo nosso mundo online ao “estabelecer uma bifurcação” entre uma internet liderada pela China e outra não chinesa liderada pela América. “Eles não estão bancando os bonzinhos”, acrescenta Bremmer. “Eu acho que a longo prazo estamos caminhando para grandes problemas entre os americanos e os chineses.”

16. Vamos nos fazer perguntas difíceis sobre o que significa liberdade de expressão.

Por Glenn Kelman, CEO da Redfin

Não estamos falando da morte da liberdade de expressão nas universidades, que algumas vezes não conseguem encontrar um salão para receber um político provocador de última hora. Trata-se de uma ideia mais profunda e mais inquietante, que já foi adotada pelo Twitter, YouTube e Facebook, de que a censura ao estilo europeu pode ser necessária. Talvez existam ideias tão ofensivas, como a crença de que os pais de estudantes mortos em um tiroteio em massa sejam parte de uma conspiração contra armas, que não devemos permitir que elas sejam amplificadas indefinidamente na Internet. Ou, talvez, devêssemos sentir desconforto com o fato de que essas decisões de censura estão sendo tomadas por alguns líderes tecnológicos que historicamente têm pouco interesse nos princípios jornalísticos que orientaram outros magnatas da mídia ou nos custos de pagar seres humanos para apurar e avaliar os fatos. Não está claro para mim como podemos reprimir ou validar ideias perigosas, exceto por meio de um debate aberto e vigoroso, mas até eu tenho que admitir que isso não funcionou bem recentemente. O que todos sabemos é que a defesa da liberdade de expressão está mais fraca agora do que há 50 anos.

17. A luta contra a pobreza extrema aumentará.

Nos últimos 25 anos, mais de um bilhão de pessoas saíram da pobreza extrema, e a taxa de pobreza global está no nível mais baixo já registrado na história, de acordo com o Banco Mundial. “Entretanto, não podemos pressupor que o progresso vai continuar”, diz Melinda Gates, co-presidente da Bill & Melinda Gates Foundation, apontando para um aumento da concentração da pobreza em determinadas regiões, como a África Subsaariana. “A maioria dos bebês nasce nos lugares que oferecem menos oportunidades. Eles enfrentam uma batalha extremamente árdua para sair da pobreza. Contudo, é possível ajudá-los, investindo em sua saúde e educação — o que os economistas chamam de “capital humano”. Para isso, é preciso priorizar investimentos em saúde e educação, e não apenas em infraestrutura. “A boa notícia é que muitos países que já fizeram esses investimentos apresentaram bons resultados”, diz Gates. “E, por causa dessas experiências bem-sucedidas, agora sabemos mais do que nunca como criar intervenções eficazes na saúde e na educação das novas gerações. Agora precisamos agir com base nesse conhecimento.”

18. O que importa no trabalho é sua humanidade.

Quando os robôs tomarem todos os nossos empregos, o que restará a nós, seres humanos? Precisamente isso — a nossa humanidade. A criatividade e as chamadas competências interpessoais estão se tornando cada vez mais importantes para a sua carreira porque isso não pode ser automatizado. Na verdade, os dados do LinkedIn mostram que as maiores lacunas de habilidades — a diferença entre o que os empregadores procuram e o que os trabalhadores possuem — ainda estão relacionadas às habilidades sociais: a comunicação oral está no topo do nosso estudo Emerging Jobs, seguido de perto por gestão de pessoas, gestão do tempo e liderança. Para os empregadores, isso significa cuidar de seus funcionários como pessoas inteiras, não apenas como executores de tarefas, explica Susan Cain, autora de “O Poder dos Quietos” e CEO da Quiet Revolution. Ela vê isso nos pedidos que recebe para realizar workshops em empresas: antes o tema era a melhoria na produtividade, agora é a maior qualidade na criação dos filhos, a resolução de conflitos conjugais ou lidar com emoções negativas. “Eu vejo cada vez mais os empregadores tendo como objetivo facilitar a vida de um funcionário em todos os seus aspectos”, diz Cain. “Não me refiro a algo do tipo Big Brother, mas um recurso para melhorar a vida de um funcionário como um todo, e não apenas a parte responsável por ganhar o salário.”

19. A Internet se tornará cada vez mais fragmentada.

Além da divisão entre Estados Unidos e China, a fragmentação da internet também está ocorrendo em lugares menos óbvios, como explica Emily Taylor, especialista em cibersegurança de Oxford. A regulamentação global de proteção de dados da Europa levou algumas empresas a reagirem de forma exagerada e a bloquear seus sites para visitantes europeus. Outras jurisdições estão seguindo o exemplo e considerando as leis de localização de dados. “Você vai acabar tendo leis nacionais e regionais transversais que cruzam suas fronteiras, tornando o compliance muito difícil para as empresas”, adverte Taylor. “As pessoas simplesmente escolherão ser muito limitadas no que virão a fazer e no público que tentarão alcançar.”

20. A união dos pequenos.

A história está se repetindo em todos os países: das famosas lojas gigantescas dos Estados Unidos às cadeias de lojinhas de rua do Reino Unido, as lojas físicas sofrem fortemente com a pressão de disruptores online com maior poder financeiro. “A competição nunca foi tão acirrada”, diz a empresária Naomi Simson, CEO do Big Red Group da Austrália, onde a Amazon ingressou com pompa há apenas um ano. Mas os players menores estão começando a se unir para enfrentar os gigantes, segundo ela. “Pode ser por meio de grupos de compras, mercados, associações, movimentos como ‘comprar dos produtores locais’… Também veremos muitas fusões e aquisições”, ela prevê. “A diferença agora é a mentalidade. Os proprietários costumavam pensar que o concorrente era a loja ao lado. Agora eles sabem que a união faz a força.”

21. Agora, recorreremos ao comércio inspirador.

Em um mundo ansioso, vamos precisar mais do que suco detox para tratar nossa psique exausta, escreve Gina Bianchini, CEO da Mighty Networks. Os influencers da saúde e do bem-estar, eles mesmos exaustos, estão mudando seus modelos para construir comunidades de apoio e conectando seus fãs uns aos outros, em vez de acumular um grande número de seguidores. Eles criam comunidades passíveis de monetizar por meio de associações ou eventos. Bianchini escreve: “Enquanto a primeira geração de e-commerce focava na venda de produtos físicos online, a próxima onda do comércio inspiracional é criar oportunidades para que as pessoas comprem experiências e conexões para realizar todo o seu potencial.”

22. O design inclusivo chega a todos.

A crescente conscientização dos profissionais e os avanços na inteligência artificial estão transformando o design inclusivo, diz Satya Nadella, CEO da Microsoft (empresa controladora do LinkedIn). “Anteriormente chamadas de tecnologias assistivas, elas consistiam de uma lista de coisas que fazíamos após a criação do produto”, diz ele. “É a transferência disso para o processo de design. E se dissermos de antemão que queremos um design que permita que pessoas com diferentes capacidades participem plenamente? E se fizermos esse esforço já na fase de design?” Ele cita como exemplo o novo controlador adaptável do Xbox, onde até mesmo a embalagem foi projetada para ser acessível, ou uma nova IA que ajuda as pessoas com dislexia a ler e compreender textos escritos.

23. Um mundo em que a individualidade vem primeiro será mais difícil de administrar.

Algumas das instituições que desde a Segunda Guerra Mundial uniram o mundo — ONU, OTAN, G20 e outras — estão perdendo força, observa Stan McChrystal, CEO do Grupo McChrystal e ex-comandante das Forças Armadas dos EUA no Afeganistão. O que vem depois disso ainda é incerto, ele adverte, porque quando tiramos uma peça-chave da torre, o desmoronamento pode ser imprevisível. “Nosso desafio é que agora estamos em um mundo em que a individualidade é colocada acima de tudo, e com isso me refiro não apenas a nações, mas também a líderes e empresas”, explica. Os líderes precisam tomar decisões com uma perspectiva mais ampla e considerar as interdependências, diz McChrystal. “Se você entra em uma negociação na expectativa de ganhar tudo e enfraquecer o outro lado”, ele adverte, “em muitos casos, o que acontece é que o ecossistema de que ambos dependem desaparece”.

24. A generosidade corporativa crescerá e ajudará nos lucros.

Doações corporativas anuais atingiram quase US$ 21 bilhõese as empresas estão investindo esse dinheiro para impulsionar a cultura corporativa, bem como causas beneficentes. “As empresas estão mais generosas do que nunca, e acredito que veremos isso com uma frequência ainda maior em 2019”, diz Sue Desmond-Hellman, CEO da Bill & Melinda Gates Foundation. “Funcionários que veem seus líderes colocar em prática os valores da empresa estão muito mais propensos a se engajar e gerar resultados comerciais positivos”.

25. As empresas passam a pensar em um ecossistema e contratam com base nesse conceito.

“Passamos de um tipo de pensamento linear tradicional, em que tudo é previsível, para uma mentalidade de ecossistema”, explica Sanyin Siang, professor de engenharia da Duke University e diretor executivo do Fuqua/Coach K Center on Leadership & Ethics. “Portanto, as pessoas precisam confiar menos nos efeitos imediatos de primeira ordem, mas também considerar os efeitos de segunda, terceira e quarta ordem”. Isso mudará a forma como as empresas contratam na medida em que procuram competências que impulsionam o bem-estar da empresa de maneiras sutis, mas muitas vezes incomensuráveis. Isso inclui pessoas que são ótimas mentoras, questionadoras ou formadoras de equipes. “Quando ocorrem de forma fortuita em uma empresa, essas funções permitem a sobrevivência e a continuidade da organização”, afirma Siang.

26. As pessoas finalmente estão passando mais tempo online do que assistindo TV.

As linhas vão se cruzar em 2019: em todo o mundo, as pessoas vão começar a passar mais horas por dia na Internet do que assistindo televisão, de acordo com a empresa de mensuração de resultados Zenith. O modo de “copo meio vazio” de analisar o fenômeno é que as pessoas estão se afastando da televisão, diz o presidente e CEO da Viacom, Bob Bakish. A visão de copo meio cheio, que ele favorece, é: “Hoje, consumimos mais conteúdo do que nunca antes na história.” Para a Viacom, isso significou expandir suas criações para muitas plataformas — como relançar o reality show The Real World no Facebook, adquirir festivais de música ou criar programas para outras plataformas de streaming. “Trabalhamos com pessoas cujas profissões talvez não existissem há 10 anos e que começaram a entrar no negócio de mídia há cinco anos”, diz ele. “É um ano de economia mista e de um ecossistema misto. E esse é o mundo do futuro”.

27. Nem tente adivinhar o preço do petróleo.

Por Bethany McLean, autora do livro “Saudi America: The Truth About Fracking and How It’s Changing the World”

Aqui está uma previsão para 2019: os mercados de energia permanecerão imprevisíveis. Uma conclusão a que cheguei enquanto trabalhava no meu último livro foi que a maioria das pessoas que faz previsões sobre o futuro dos preços do petróleo têm um ponto em comum notável: elas estão todas erradas. Lembre-se da famosa previsão de M King Hubbert sobre o pico do petróleo na década de 1970. Ele parecia mais ou menos certo — até a revolução do xisto mudar tudo. Agora, a revolução do xisto supostamente garantirá um suprimento gigantesco e crescente de petróleo dos EUA no futuro previsível. “Mais barato, por mais tempo”, significando preços do petróleo na faixa de US$50 o barril, tornou-se uma espécie de mantra em Wall Street. Os céticos, porém, suspeitam que pode haver menos poços lucrativos ao preço de US$50 do que os executivos tentam nos fazer acreditar. Se assim for, e se a escassez de projetos de longo prazo na última década resultar em menos oferta do que o esperado, podemos ter picos de preços no futuro. Ou não. Acredito que esta seja a verdade máxima sobre o mercado de petróleo: ele desafia todas as tentativas de previsão e mais ainda de seu controle.

28. Para as marcas, não existe neutralidade.

Consumidores e funcionários, em particular, esperam cada vez mais que as empresas assumam uma posição sobre problemas cotidianos e pratiquem os valores que pregam, diz Ross Martin. “Você é forçado, como empresa e como líder, a se posicionar. Caso contrário, todos saberão que você não representa nenhuma causa”, ele avisa. “Você não será odiado, mas se tornará completamente irrelevante, e as pessoas que trabalhavam em sua empresa não trabalharão mais, porque não viram você se pronunciar em momentos importantes.”

29. Diretor de Ética é o novo cargo na alta administração.

À medida que a tecnologia avança cada vez mais rápido e a lei se esforça para acompanhá-la, a forma como os dados pessoais são manipulados ou como a inteligência artificial é construída muitas vezes se resume apenas às decisões corporativas. Como tomar decisões corretas? As empresas estão despertando para essa responsabilidade e tornando a Ética uma função essencial, que está se tornando independente do Setor Jurídico, como a Diversidade se separou do RH. “O que eu acho que estamos vendo agora é um reconhecimento de que é importante ir além das regras”, diz Katie Lawler, diretora de ética do US Bank desde 2017. “Ter um conjunto sólido de valores fundamentais, ter um ambiente no qual os funcionários saibam que suas vozes serão ouvidas quando tiverem alguma preocupação realmente vai além do ‘Será que podemos?’, do compliance, para o ‘Será que devemos?’, da ética.”

30. Você consumirá aquele insetinho na salada.

O setor de varejo já está se acostumando com a ideia, o que significa que você será o próximo: a Sainsbury’s, no Reino Unido, a Provigo, no Canadá, e o Carrefour, na Espanha, colocaram insetos em suas prateleiras no ano passado. Insetos têm mais proteína do que qualquer outra carne e são anunciados como um modo ecologicamente correto de alimentar uma população crescente. Para combater o fator “nojinho”, eles podem ser moídos e transformados em farinha rica em proteína ou usados para alimentação animal. “Pode contar que se eu tivesse meio bilhão de dólares para investir agora, uma grande parte seria alocada para essa área emergente”, diz o futurista e Top Voice do LinkedIn QuHarrison Terry. “Atualmente, mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo consomem insetos regularmente como fonte de proteína. No entanto, estima-se que o total do setor é de apenas US$ 406 milhões. Falta apenas um produto de grande sucesso para tornar este setor multibilionário”.

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/30-grandes-ideias-para-2019-os-temas-ficar-de-olho-pr%C3%B3ximo-kato/

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