Um ser humano para desenvolver a tecnologia ou uma tecnologia que orienta o desenvolvimento humano? O que estamos vivenciando?

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Por: Robson Hilario da Silva

A evolução tecnológica acontece de forma exponencial e a cada ano, a cada década, novos desafios aparecem e novas soluções tecnológicas surgem para mudar, às vezes radicalmente nossas vidas. Convido o leitor a viajar comigo um pouco no tempo analisando a imagem acima e, aos que não viveram, imaginem-se em 1956 no lançamento do primeiro controle remoto sem fio para TV. Um aparelho que funcionava por sistema de ultrassom para se comunicar com a televisão, que exigia um microfone. Nessa época – e durante uns bons anos depois – a família ainda se reunia em torno da TV e isso, me lembro, já era motivo de reclamação dos pais porque sem a TV a família se reunia para conversar e contar histórias.

O fato é que a Inovação Tecnológica não pede licença e, quando ela chega, as nossas vidas são impactadas de alguma forma. O desenvolvimento tecnológico é desejado para o conforto e o bem estar de todos nós. Será que é isso que acontece mesmo? Nos anos seguintes ao ano de lançamento do controle remoto sem fio, surgiram dezenas de outros produtos inovadores, conforme ilustrado. Esses são alguns dos diversos exemplos que podemos citar e que foram retirados da reportagem “20 inovações tecnológicas que marcaram os últimos 40 anos“. Os exemplos são em sua maioria inovações incrementais como o aparelho de som, a TV estéreo, o Cooktop, o telefone sem fio, o videocassete para o dvd e até mesmo o telão. Contudo, outras são inovações disruptivas porque criaram novos mercados difundindo tecnologias que até então eram utilizadas apenas em ambientes restritos, como foi o caso do microcomputador. A popularização dos microcomputadores permitiu a criação de novas profissões e facilitou o trabalho e a comunicação de toda a sociedade e, mais uma vez, nos deparamos com o desenvolvimento tecnológico produzindo conforto e bem estar. Contudo, se uma análise detalhada desse desenvolvimento for realizada, não encontraremos apenas conforto e bem estar, mas também será identificada, dessa vez, a ausência da família reunida em torno da TV. Já não há mais tanto diálogo e só sobrou tempo para isso, quando havia mais de um assistindo a TV, nos momentos dos comerciais! Cada indivíduo da família se isola com o seu microcomputador, com o seu videogame ou com a sua TV.

Nessa época ainda tínhamos os amigos que se reuniam para jogar videogame. Cada um trazia o seu e havia interatividade! Muitos filhos cresceram conhecendo mais seus amigos que seus pais e irmãos. Nessa época começa a se popularizar uma coisa “estranha” que conectava os microcomputadores ao redor de todo o mundo, uma tal de Internet. A comunicação da humanidade é impactada de forma totalmente disruptiva! Não haveria mais a espera de 30 dias, ou mais, para receber a resposta de uma carta encaminhada pelos Correios. Seríamos apresentados em breve ao e-mail!

Na mesma época, praticamente, estávamos conhecendo um telefone sem fio que ficaria no seu bolso e funcionaria em qualquer lugar, seria chamado de celular. Até aquele momento, achávamos que só de falar em qualquer lugar já era a maior inovação. Não imaginávamos que nos anos seguintes a Internet, o microcomputador, o videogame, a nossa agenda e dezenas de outras coisas iriam para dentro daquele aparelho e, muito menos, que nos dias de hoje estaríamos vivenciando essa Internet dentro de todas as coisas. Mais um momento de inovação disruptiva, a qual estamos chamando de Internet of Things – IoT, ou Internet das Coisas, onde novas profissões, serviços e produtos surgirão para, mais uma vez, mudar a forma de viver da sociedade.

Tudo muda e evolui muito rápido! A Inovação é realmente exponencial!

Para constatar essa evolução exponencial, podemos lembrar de alguns produtos lançados após os anos 2000, conforme o conjunto de ilustrações apresentado. O café em cápsulas criou um novo negócio e tomar café passou a ser uma experiência. A lâmpada LED traz economia e durabilidade e a TV 4K uma qualidade de imagem ainda melhor que as das gerações anteriores, mas pior que suas gerações posteriores como a 8K e outras. Contudo, a Internet também foi para dentro da TV e de outros eletrodomésticos que são hoje chamados de inteligentes e as gerações anteriores dessas TVs também podem receber dispositivos como o Apple TV e passar a receber conteúdo por demanda. Agora sim! Com a TV inteligente você assiste a programação que quer e quando quer e… adivinha? Sem comerciais! Ou seja, nossas crianças agora não ficam mais hipnotizadas durante um tempo e no outro ficam conhecendo todos os infinitos tipos de brinquedos para pedirem aos pais até dormindo. Elas ficam, sim, hipnotizadas todo o tempo que as deixamos em frente a TV inteligente. Com isso, pergunto: E o diálogo nas famílias? Sem comercial? Já temos geração formada sem saber o que é diálogo! Na família então…

Percebe o que o desenvolvimento tecnológico está causando, além do bem estar e do conforto? Como estão nossas relações e como acontece nossa comunicação com o outro? Nós estamos nos desenvolvendo humanamente para continuar a desenvolver tecnologias ou as novas tecnologias estão condicionando o nosso desenvolvimento humano?

O que estamos vivenciando é fácil dizer porque uma simples análise comportamental das gerações que nasceram em 1960, 1970, 1980, 1990 e 2000 nos permite identificar uma redução drástica da comunicação falada e presencial como esse texto identifica. Inicialmente a TV reduziu o tempo de diálogo na família. As famílias já não se reuniam para conversar quando a noite chegava. Depois o telefone permitiu falar com quem estava distante, mas ao mesmo tempo retirou a necessidade da presença para o ser humano se comunicar através da fala. Quem poderia falar presencialmente muitas vezes escolhia fazer uma ligação para não sair de casa. Com o advento dos microcomputadores o isolamento nas famílias aumentou e os filhos muitas vezes perderam momentos prazerosos de diálogo e aprendizado com seus pais porque estavam jogando videogame ou assistindo TV em seu quarto e, portanto, sozinhos. Com os celulares e a Internet a comunicação oral está ficando cada vez mais ultrapassada! “Passe um e-mail”, diz um filho para seu pai; “Mande uma mensagem no celular que respondo rápido”, diz o esposo para a esposa; “Não me ligue filha porque devo estar em uma reunião. Passe uma mensagem que te respondo”, diz o pai para sua filha. Com o tempo não precisará dizer tais palavras antes da despedida porque todos já terão assimilado o protocolo de comunicação daquela família.

O nosso desenvolvimento humano está sendo orientado pela tecnologia! Podemos afirmar isso devido o distanciamento entre as pessoas que as deixa emocionalmente desestruturadas, o que reduz consideravelmente a capacidade de dialogar, capacidade esta que que permite cada ser humano entender que existe hora de ouvir e existe hora de falar. Diante dessa realidade alarmante é preciso dar um grau menor de importância para tecnologias como: redes elétricas inteligentes que serão utilizadas nas comunidades e cidades inteligentes; carro inteligente, eletrodomésticos e todas as coisas inteligentes e colocar acima de tudo isso o desenvolvimento dos diversos tipos de inteligência dos seres humanos, principalmente a inteligência emocional. Inteligentes emocionalmente e ricos de valores e virtudes será possível implementar as tecnologias inteligentes para que sejam utilizadas de forma sábia, a favor da sociedade, e não gananciosa, a favor de poucos.

Precisamos trabalhar para desenvolvermos humanamente porque esse é o caminho para que, finalmente, nossas Inovações Tecnológicas e os resultados financeiros delas sirvam à toda humanidade, ajudando na erradicação da pobreza e permitindo uma distribuição de renda um pouco mais justa! Teremos uma sociedade mais humana que se coloca a serviço do outro! Uma sociedade que de tão humana se coloca no lugar daquele irmão e daquela irmã que vivem à margem e, ao se colocar no lugar do outro, seu coração sofre e aprende a compartilhar! Uma sociedade que já não suporta ser apenas independente e buscará na interdependência a razão de sua existência! Enfim, uma sociedade que desenvolverá a tecnologia não somente para dar conforto e bem estar que a tecnologia em si proporciona, mas para compartilhar parte da riqueza que essa tecnologia produzir.

Para alcançar essa sociedade humana fundamos o Centro de Tecnologias SMART – CTSMART, em 19 de março de 2016. Como um Instituto de Ciência e Tecnologia – ICT, privado e sem fins lucrativos, nosso objetivo é dar prioridade ao desenvolvimento do ser humano em seus valores e suas virtudes sem esquecer de educar, pesquisar e inovar nas mais diversas tecnologias inteligentes apresentadas. Se você se identificou com nossa proposta venha nos conhecer melhor, http://www.ctsmart.org, e entre em contrato através do e-mail contato@ctsmart.org para saber as formas que você pode ajudar esse Instituto.Venha ser um associado, entre para a família CTSMART e nos ajude e seguir com esse trabalho.

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